Projeto Michel Giacometti

pt

Na génese deste trabalho duas vontades se cruzam, a criação de um “objecto” promotor da identidade cultural Portuguesa e o desafio da procura da modernidade. O Cancioneiro Popular Português, de Michael Giacometti e Fernando Lopes Graça serviram de base para a recolha dos temas apresentados no disco, coabitando nestes a essência genuína da música popular e de novas abordagens estilísticas, denotadas nas orquestrações de Lino Guerreiro. O “Projeto Michel Giacometti” é um trabalho de parceria entre o Quarteto ARTEMSAX e o compositor Lino Guerreiro.

“Este projeto GIACOMETTI inscreve-se num gesto artístico que me faz sentir e compreender melhor o meu país. Por trás dos falares dos saxofones, que arrastam consigo vozes profundas e batidas nas peles curtidas, ecoam nas múltiplas paisagens, ou os recitativos de contadores, ou os sopros e os suspiros de quem trabalha ou o matraquear dos teares. Quando ouvimos este quarteto acabamos por gostar mais de nós próprios ao reconhecermos que fazemos parte de um povo em constante mutação por influência cultural de outros migrantes e de outros artistas que nele se inspiraram e inspiram. Afinal o passado está bem presente. Continua a soprar delicadamente nos poros dos nossos afetos e com essa brisa levar-nos numa gratificante viagem.”

João Brites, Fundador e diretor do Teatro “O Bando”

“Os ouvintes poderão entabular viagens imaginárias entre essas duas realidades: as gravações de Giacometti e as versões criativas do compositor Lino Guerreiro e Artemsax, pertencentes a este momento histórico e, desse modo, encontrar dois mundos fundidos num só acto de criação: o mundo actual e uma homenagem à recolha do património existente.”

António Pinho Vargas, Compositor

en

The Portuguese cultural identity and a new and contemporary musical approach are the two main ways that this work tries to link. The Portuguese popular songbook (Cancioneiro Popular Português), by Michel Giacometti and Fernando Lopes Graça, is the genesis of this disc and the research object, used to select the musical themes, where, now, it is possible to listen the crossover between the tradition and the modernity, with the new and fresh orchestrations by Lino Guerreiro. “Projeto Michel Giacometti” is a partnership between ARTEMSAX Quartet and the composer Lino Guerreiro.


Prémio Carlos Paredes entregue a Ricardo Ribeiro e ao Quarteto ARTEMSAX & Lino Guerreiro

“Os dois projetos vencedores, sendo estruturalmente diferentes, representam o que de melhor se faz atualmente e de forma complementar, por um lado no fado tradicional e, por outro, na música tradicional, reinventada com um estilo único”, referiu o júri, segundo comunicado da edilidade local, a 02 de outubro, quando foram conhecidos os distinguidos.

press

prémio carlos paredes 2017 – yamaha

prémio carlos paredes 2017 – diário de notícias

prémio carlos paredes 2017 – tsf

prémio carlos paredes 2017 – observador

 


Video | Projeto Michel Giacometti

Textos | Projeto Michel Giacometti

“Ó que bem que baila la Moura” Oriunda de Bragança, mais propriamente de Vinhais, é também conhecida como “a Moira do Seixal”, uma de muitas cantigas referenciadas na temática das Mouras Encantadas. É apresentada pelo quarteto de saxofones como que se de um coral se tratasse. Quatro vozes, às quais se junta um quinto elemento, intemporal por natureza, dada à transversalidade do seu discurso, que assume aqui a sua remota origem e a contemporaneidade dos dias de hoje. Paulo Machado no acordeão.

“Andorinha Gloriosa” Com origem na Beira Litoral, Figueira da Foz, esta “oração cantada” fazia parte da “Oração do Peregrino”. O quarteto de saxofones assume neste tema uma dualidade de discurso, por um lado a “Oração” na sua forma original, por outro um discurso pontilhístico, provocador, que parece não contagiar a serenidade e harmonia da oração, suportada aqui por três novas vozes, que elevam o momento de introspecção, o Trio de Cordas.

“Olha o Velho, Olha o Velho” Retirada de um romance novelesco, esta canção transmontana, oriunda de Bragança, apresenta na sua forma original uma forte consistência rítmica, melódica e harmónica, dando suporte ao imaginativo conteúdo do texto. Nesta reinterpretação, o desenvolvimento de um arrojado cânone, sugere a “desconstrução” da canção original.

“Ó da Malva, Ó da Malva” Esta cantiga das malhas, oriunda de Vinhais, Bragança, tem a particularidade de ser sempre cantada por volta do meio-dia. Esse aspecto suscitou no compositor Lino Guerreiro um interesse conceptual de “introduzir” um tradicional relógio de pêndulo no discurso musical dos quatro saxofones, como que marcando a hora da cantoria…

“Disse o Galo prá Galinha” Embora este tipo de canção tradicional infantil esteja presente em todo o país, é de origem Mirandesa. Em forma de lengalenga, servia antigamente de jogo para passar o tempo nos serões de inverno. Nesta versão para quarteto de saxofones, a canção é apresentada num formato muito próximo do original, utilizando as vozes dos saxofones para criar uma espécie de conversa a quatro.

“Ó Bareira, Ó Barreirinha” Oriundo de Esposende, este tema assenta numa “Chula”, género clássico da música popular portuguesa. Apesar da opção do compositor, em afastar-se das características formais e musicais deste género, na secção final da obra toda a concepção tenta resgatar a “Chula”.

“Ó minha Farrapeirinha” Dança da Beira Baixa, também conhecida no Ribatejo, “Ó minha Farrapeirinha” é aparentemente oriunda do concelho de Castelo Branco. Na reinterpretação desta a dança, assistimos a uma curiosa dicotomia musical. Sendo este um tema não cantado, na sua forma original, o compositor assume uma forma de escrita musical característica para vozes (cantochão), contraposto com os tambores tradicionais dos “Bardoada – O grupo do Sarrafo”.

“Senhora do Almurtão” Reza a lenda que “Um dia, madrugada ainda, atravessavam o campo pelo sítio Água Murta, para o labor de todos os dias, pastores e ganhões. Notaram então que numa moita de murteiras grandes, havia algo de estranho. Aproximaram-se e viram uma linda e resplandecente imagem da Virgem. “Milagre! Milagre!”, exclamaram, ao mesmo tempo que caíram de joelhos para rezar. Resolveram então conduzir a Santa Imagem para a igreja de Monsanto. Mas Ela desapareceu pouco depois e procurada no local da aparição lá estava, exactamente no mesmo sítio. E sempre que a procuravam, ela lá estava no lugar da aparição no murtão. E, respeitadores da vontade bem expressa da Senhora, os habitantes da vila construíram no local uma capelinha.”. Proveniente de Idanha-a-Nova, é um dos mais famosos e conhecidos cantos de romaria do nosso país. Nesta versão, a melodia principal é repetida inúmeras vezes, sempre com um discurso musical diferente, na forma de um “canto” e variações.

“Ai, tu é que és o meu Rapaz” Oriunda de Beja, esta moda era cantada especialmente durante as sementeiras. Segundo Lino Guerreiro, esta moda cantada, que este conheceu como um coral alentejano, por mais tentativas reinterpretativas que tenha, nunca deixará de o ser. Assim, apresenta-se aqui em forma de coral, muito próximo do original, apoiado pela flauta do próprio compositor.

“Vai-se o dia, vem a noite” Moda da Lavoura, presente em todo o baixo alentejo, muito comum em Beja. Em contraste com os corais alentejanos, esta moda da lavoura seria cantada muitas vezes na solidão dos campos. Tendo em conta esse aspecto, o compositor resolveu trata-la maioritariamente como um recitativo. Mas, ao fim de mais um dia, todos se juntarão para cantar a uma só voz…

“Recordai, Nobre Senhor” Oração das almas, com função de canto de peditório, oriunda de Alcoutim, Faro. As “Bruxas”, pássaros que integram a fauna desta região Algarvia, dão o mote ao início do tema, com o seu extraordinário cantar, quase que imitando sons electrónicos. Mais uma vez, o cânone serve de veículo para a “desconstrução” da melodia principal, que vai renascendo até se assumir novamente, vigorosamente acompanhada com os bombos dos “Bardoada, o Grupo do Sarrafo”.

“Chama Rita, chama chama” Baile cantado, com origem na ilha da Madeira. Sendo um tema, que teve a sua origem em arquipélagos portugueses, toda a concepção assenta na apresentação do tema na sua forma original, circundado por dois gestos musicais que retratam a imensidão do atlântico, no horizonte destas ilhas.

“Abaixai-vos Carvalheiras” Proveniente da Beira Baixa, região da Covilhã, este tema era e continua a ser cantado em alturas das festas de São João. Na sua concepção, a constante viagem nas diversas tonalidades (tons) representa “o passar dos anos”.

“Ó minha caninha verde” Chamada de Cana Verde esta dança é oriunda de Santo Tirso. Sendo uma dança, existem características que lhe são inerentes. Os tambores tradicionais e uma outra série de instrumentos de percussão, não foram convidados a estar presentes, sempre fizeram parte desta dança…

“Senhor Francisco Bandarra” Canção oriunda de Coimbra, dos finais do séc.XVIII. Sendo um dos temas mais antigos desta coletânea, o compositor Lino Guerreiro resolveu simplesmente “vestir” a canção com uma linguagem musical “aparentemente” mais moderna. Da referida concepção, resta apenas argumentar que na lei da polaridade, os extremos se tocam.

“Canário, Lindo Canário”, Canção amorosa oriunda de Arouca, Aveiro; “Puestos Estan Frente a Frente”; Canção sobre a batalha de Alcácer Quibir; “Ó Valverde, Ó Valverde”, Coral acompanhado por instrumentos, oriundo de Lourosa de Campos, Aveiro. A concepção tem origem na tentativa de uniformizar as três canções, apesar de as mesmas serem oriundas de regiões diferentes. A última das três, sendo um coral, é a que contribui para a uniformidade. Porém, depois de cumprir o seu propósito, parte para um outro universo…

“Não Quero que vás à Monda” Uma das canções e corais mais comuns em todo o Baixo-Alentejo, registada no Cancioneiro de Serpa. O coral alentejano, aqui presente pelas vozes do grupo coral “Ausentes do Alentejo”, é precedido por uma nova interpretação, onde o saxofone demonstra ter herdado o essencial, permanecendo o eco da verdadeira tradição…


This slideshow requires JavaScript.


Projeto Michel Giacometti

in facebook

contactos/contacts:

João Pedro Silva / +351 912 271 412 / j.pedropacheco@gmail.com
Lino Guerreiro / +351 966 703 106 / linoguerreiro@me.com