Saxeus

(quarteto de saxofones solo e orquestra de sopros/saxophone quartet solo & concert band)


também disponível para/also available to:
ensemble de saxofones/saxophone ensemble

pt

A concepção desta obra assenta na abordagem à grande diversidade do saxofone, sendo este um instrumento com uma versatilidade bastante alargada. Assim, dessa primeira ideia conceptual, resulta uma obra que comporta diferentes estados e até mesmo diferentes linguagens musicais.

A obra inicia-se com pequenos motivos melódicos atribuídos aos quatro solistas, sendo que todos estes estão combinados com outros dois instrumentos, com o objectivo de criar quatro timbres diferentes, que ao longo do discurso se vão manifestando e ganhando cada vez mais independência. Cada um dos saxofones desenvolve o discurso com base num campo harmónico diferente. Todo o ambiente gerado é resultado da soma dos quatro campos harmónicos.

Na segunda secção da obra, é desde logo apresentado o tema principal, primeiro pelas madeiras, passando pelos saxofones e instalando-se permanentemente nos saxofones e na percussão. Ao mesmo tempo as madeiras mais agudas apresentam o tema, que é constantemente interrompido por um gesto brusco. Depois de várias tentativas serão os saxofones a assumir o tema, e apesar das consecutivas tentativas de o interromper,  o tema é levado até ao fim. Toda esta secção é marcada por um ostinato permanente.

A terceira secção começa com a apresentação de um novo tema pelo saxofone soprano. Este tema vai saltando de saxofone em saxofone, sendo sempre acompanhado de uma variação do discurso.  A secção é concluída com um tutti da orquestra onde os saxofones assumem novamente o tema principal e a orquestra volta a apresentar as diferentes variações do discurso de cada um dos saxofones.

Após uma transição que remete para o início da obra a quarta secção inicia-se com um novo tema no saxofone soprano. Este tema vai mais uma vez ser partilhado pelos quatro solistas, mas desta vez numa só apresentação do mesmo. O tutti da orquestra é logo após a primeira e única apresentação do tema. Neste tutti os saxofones apresentam uma variação do tema principal.

A quinta secção da obra é um coral atribuído ao quarteto. Este coral ao longo do seu desenvolvimento começa por ser partilhado com os metais e mais tarde com as madeiras. A orquestração desta secção prende-se com a ideia inicial da obra, a ideia de criar diferentes timbres, e tal como no início os solistas são acompanhados dos mesmos dois instrumentos.

A sexta e última secção é marcada pelo mesmo tipo de ostinado rítmico da segunda secção. Ao mesmo tempo, o naipe de clarinetes volta a apresentar o tema da segunda secção que as madeiras mais agudas tentaram apresentar. Mas aqui os clarinetes apresentam o tema na sua totalidade. Enquanto tudo isto acontece o quarteto de saxofones apresenta um novo tema, num discurso de certa forma ligado ao jazz. No final deste discurso os saxofones acabam por retomar o gesto inicial da segunda secção, da mesma forma que as madeiras mais agudas e os clarinetes já o tinham feito. Por isso através deste desenvolvimento que se traduz numa metamorfose contínua, a sexta secção da obra transforma-se na segunda secção.

O gesto final da obra, será momentâneo e bastante claro. Esta obra foi originalmente escrita para o quarteto de saxofones “ARTEMSAX”. Teve estreia no “III Festival Internacional de Saxofone de Palmela”, pelo quarteto de saxofones “ARTEMSAX” e pela Banda da Armada Portuguesa.