A notação musical é para mim um código que transmite parcialmente a nossa arte dos sons. Existe uma parte que não me compete a mim, enquanto compositor, “codificar”; é nessa parte que reside a magia desta arte.

Por acreditar nesta “fantasia”, espero sempre que a minha música possa ser interpretada de várias e diferentes formas, fazendo isto com que tenha o privilégio de ouvir diferentes e únicas interpretações da minha música.

Logo, para quê discutir se uma colcheia está ou não no sítio certo, ou se a intenção está certa? Se assim o é, porque não tocamos só a nossa própria música? E, já agora, não a deixar ser tocada por mais ninguém. Assim tudo estaria certo, e no sítio certo.

Desculpem, mas eu prefiro ser privilegiado pela minha “fantasia”.

Nunca se esqueçam que só vocês saberão o que realmente pretendiam, (no vosso coração, ou alma), quando através desse “código” escreveram algo que, para fatalidade da vossa absoluta certeza, não conseguiram transmitir!

A colcheia estará mais uma vez no sítio certo, isso ninguém pode negar. E o resto?

Lino Guerreiro

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