Antologias

De dois cânones pessoais para uma antologia em movimento – música e produção: Lino Guerreiro & Valter Rolo.

From two personal canons to a moving anthology – music and production: Lino Guerreiro & Valter Rolo.

TALEA

clarinete | clarinet : Miguel Costa
saxofone | saxophone : Lino Guerreiro
trompete | trumpet : Pedro Azevedo
trombone : Marco Tavares
teclados | keyboards : Valter Rolo
acordeão | accordion : João Frade
baixo | bass : Norton Daiello
bateria | drums : Vicky Marques


música | music : Lino Guerreiro
produção | production : Lino Guerreiro & Valter Rolo
mix & master : João Portela


Folk Song

(2 flautas, e quarteto de cordas | 2 flutes & string quartet)

linoguerreiro.com

A canção que gerou uma tradição adaptada a uma nova tradição em constante adaptação. Nascida de um sonho, com um shakuhachi possivelmente presente.

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Fernando Tordo – O possível Natal

O videoclipe "O possível Natal", com Valter Rolo a acompanhar ao piano as vozes de Fernando Tordo e Paulo de Carvalho, tem produção e arranjo musical de Valter Rolo e Lino Guerreiro, coro e arranjo vocal de João Castro e Teresa Rico e foi gravado, misturado e masterizado nos Estúdios Saffran por João Portela. A captação, produção e edição vídeo é de Miguel Ferro (Videoplanos).

“O tema é justamente o assumir dessa tristeza, dessa desolação. E também desta dúvida: ‘Quem poderá mudar este Natal?’ Questiona-se inclusive, na sociedade em que vivemos, na educação que temos: Será Deus? Seremos nós? Será o esperado dia, semelhante a um milagre, em que alguém diz ‘acabou’? Não há dúvida é que isto se arrasta. Já passámos por um tempo eufórico, até um bocado patético, em que quase se anunciava que isto tinha acabado! Mas isto é uma coisa mundial e de repente passámos a perceber que éramos todos iguais, altamente frágeis. Esta canção é o reconhecimento dessa fragilidade e com muitas dúvidas do tempo que estamos a viver.”

Fernando Tordo

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Carolina Deslandes – Tempestade

Mais uma participação do mixEnsemble no tema "Tempestade" da Carolina - Arranjo e Orquestração, Lino Guerreiro & Valter Rolo

Carolina Deslandes

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Por baixo di a porta hai luz

Ao princípio pareceu-me ser o vento a bater nas canas, ou no alto dos sobreiros, ainda que imagino que deve ser raro, o vento, bem entendido. Mas agora que escuto melhor, parece-me ouvir mais lá ao fundo, as enxadas a bater na terra, para lá do cante, bem ao longe. E o bater dos corações, será? Conseguem ouvir? Esse já me tinha despertado a atenção. Oiço também vozes de homens, seguramente, juntas com as enxadas a bater na terra, e com os corações que não param. E agora que oiço ainda com mais atenção, consigo distinguir também algumas vozes de mulheres, e é engraçado que ao mesmo tempo parece-me ouvir também crianças a brincar. São curiosas estas paisagens do Alentejo, na nossa cabeça, são um sítio ermo e solitário, mas a vida que nelas há, é surpreendente, acreditem em mim. O cante voltou, agora junto com um ritmo que deduzo ser de trabalho. Imagino os corpos suados do calor, agora que também “oiço” este calor intenso e constante. Não deixa de ser curioso que quanto mais tarde fica, e o calor abranda, mais sons despertam a minha atenção. Entretanto já é quase noite, e eu nem dei pelo tempo a passar, enquanto contemplava esta paisagem maravilhosa. Bom, é certo que este cante não me sai da cabeça. Já nem sei muito bem se o estou realmente a ouvir, ou se é a minha imaginação. Gostava que estivessem aqui, e se vocês pudessem ver, tal como eu, iriam certamente perceber o que vos digo. É quase noite cerrada nesta paisagem do Alentejo, mas se olharmos bem, e com atenção, conseguimos ver que Por baixo di a porta hai luz, e é sinal de haver lá gente. É hora de seguir viagem, e sim, os rouxinóis também cantam à noite.”

Lino Guerreiro